Atenção Primária à Saúde e a Cassi

Saúde
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O médico dr. Aloísio Cuginotti, diretor adjunto da AFABB-SP fala, em artigo, sobre a Implantação da Atenção Primária à Saúde

 

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A IMPLANTAÇÃO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

APS  como modelo assistencial da CASSI

 

 Aloísio P. Cuginotti

Falta combinar com os russos!

Há de se reconhecer o esforço da CASSI para a retomada do modelo assistencial centrado na atenção primária e linha de cuidados. Essa é, indiscutivelmente, a saída para manter a assistência e para melhorá-la. Não há incompatibilidade nessa conclusão. Países que adotaram o direcionamento do acesso aos serviços de saúde começando pela atenção primária à saúde, tiveram como resultado uma avaliação qualitativa positiva dos usuários quanto aos resultados alcançados e diminuição de despesas com os serviços. Em países que adotam o modelo americano,  como o nosso País, têm uma medicina cara, excludente e de elevado custo.

De fato, não dá para compatibilizar os índices inflacionários oficiais os quais são a base de (possíveis) reajustes salariais e a chamada inflação da saúde, isto é, a que reajusta os preços dos serviços de saúde.

O elevado custo da atenção à saúde e as necessidades em saúde exigem que se busquem modelos que atendam os usuários com qualidade e que possam manter os atendimentos com uma racional e competente política institucional de controle dos gastos.

Lembremos que o SUS (1988-criação e 1991-leis complementares) que se mostrou e mostra competente no caso da atual pandemia, tem como princípios a universalidade, a equidade, a integralidade os quais estão organizados de forma regionalizada e hierarquizada, descentralizada e com comando único (municipal) e participação popular.

Ou seja, são os mesmos pilares da atenção à saúde que a CASSI quer implementar desde os anos 2000 e que, infelizmente, não conseguiu por vários motivos os quais poderão ser comentados em outro texto.

Esse texto pretende trazer à discussão os principais motivos pelos quais não se conseguiu implantar o SUS no Brasil e que poderão servir para antecipar as dificuldades de implantação do modelo ora gestado/aplicado pela CASSI.

 

1)            Aceitação do modelo pelo associado/dependentes e participantes dos demais planos CASSI;

2)            Resistência dos prestadores de serviço quais sejam, médicos, clínicas, hospitais, serviços laboratoriais e de terapias à racionalidade e controle que o modelo coloca;

3)            Bloqueio na participação de prestadores em cidades de médio e pequeno porte realizado pelos conselhos profissionais ou associações de classe a contratualizar com a CASSI;

4)            A necessária confiança nos profissionais da APS como cuidadores e respondedores às necessidades de saúde do paciente;

5)            A incorporação ao modelo por todos os profissionais que hoje atuam e que venham a ser contratados pelas CliniCassi, visando a integralidade do cuidado.

 

Existem outros fatores intervenientes e em sua maioria, por razões mercadológicas, distantes do objetivo central de eficiência, regulação, controle, melhoraria e avaliação da assistência à saúde de nossos usuários.

Trabalhei no SUS desde as Unidades Básicas de Saúde, passando por hospitais terciários especializados até administrações regionais de saúde e declaro que o maior impedimento na completa implantação do SUS deu-se por razões corporativas e mercadológicas. Essas mesmas razões estarão presentes no caminho de implantação de qualquer outro modelo assistencial que não seja o atual.

 

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Aloísio P. Cuginotti é Diretor adjunto na AFABB-SP desde 2020, aposentado, foi escriturário e médico no Banco do Brasil e Professor na Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP. Mestre em Ciências UNIFESP, ano 2010. Especialista em Administração de Serviços de Saúde pela FGV/USP, em Medicina Preventiva pela AMB  e Associação Brasileira de Medicina Preventiva e Administração em Saúde. Atividades: Médico do Banco do Brasil 1979 a 1992. Diretor Deliberativo, eleito, da CASSI, 1989-1992. Diretor técnico no Hospital Ipiranga (SES-SP), Hospital Dr. Arthur R. de Saboya (PMSP); Superintendente da COLSAN-UNIFESP; Professor de saúde coletiva no curso de graduação médica da UNIFESP.


Artigos assinados não reflerem, necessariamente, a opinião da AFABB-SP

 

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