Os olhos do Brasil na guerra do Iraque

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Jornalistas Juca Varella e Sérgio Dávilla expuseram a associados as experiências vividas em um dos mais sangrentos episódios da era moderna

Por Jair Rosa

São Paulo – “O fato de estarem vivos depois de tudo o que passaram também é surpreendente. Esse livro é para ficar na história para mostrar às futuras gerações as barbaridades que são cometidas por conta de ganância, do petróleo”, a opinião é de Miriam Shibutu que, ao lado de dezenas de outros associados acompanharam atentamente relatos de Juca Varella e Sérgio Dávila – os únicos jornalistas brasileiros em Bagdá durante a invasão do Iraque em 2003 pelo jornal Folha de São Paulo.

Tanto Juca quanto Sérgio têm profundos laços com o funcionalismo do BB. O primeiro trabalhou por muitos anos na instituição financeira até se dedicar inteiramente ao jornalismo. Dávilla é filho de Humberto Dávila,  funcionário do banco já aposentado. A palestra ocorreu em 20 de julho no auditório da sede da AFABB-SP.

comboAssociados e convidados acompanharam atentamente a palestra de Varella e Dávila, que  depois autografaram o "Diário de Bagdá"

De uma forma dinâmica e didática, com a exibição de fotos feitas em 2003 (com imagens impressionantes do bombardeio a Bagdá feita pelos Estados Unidos), além de um vídeo produzido em nova visita à cidade em 2013, eles prenderam a atenção da plateia.

“Eram cerca de 180 jornalistas de várias partes do mundo naquela cobertura. Ficamos lá por 35 dias. Nesse período uns 10% desses profissionais foram mortos”, revelou Dávilla.

“Mal dormíamos e comíamos muito pouco, em 2003. Tínhamos de guardar o dinheiro dentro de meias e do colete à prova de bala. O que completou o cenário de um verdadeiro inferno, além dos constantes bombardeios, foi uma tempestade de areia que durou três dias”, contou Juca Varella. “Além de nossos capacetes e coletes à prova de balas de fuzil, tínhamos também máscaras com filtros especiais, pois havia uma ameaça de que Saddam Hussein utilizaria armas químicas”.

Na palestra foi revelado, ainda, que as chamadas “armas Inteligentes” dos EUA estavam desatualizadas o que redundou em bombardeio de escola e de uma creche, quando se achava que o local abrigava armas químicas.

A palestra durou mais de duas horas, com os convidados da AFABB-SP respondendo a todos os questionamentos.

A associada Adair Pedran enalteceu a coragem dos jornalistas brasileiros. “Eles foram até lá, enfrentaram tudo aquilo e foram novamente dez anos depois. E eles fizeram relatos humanos e explicaram bem. O que falaram, o que enfrentaram, serve para mostrar uma outra realidade do mundo”.

Ao final do debate Varella e Dávilla concederam autógrafos no livro produzido por ambos: “Diário de Bagdá – A Guerra do Iraque segundo os bombardeados”.

A obra está disponível nas livrarias.

Veja a galeria de fotos: http://www.afabbsp.com.br/767-imagens-da-guerra-palestra-com-juca-varella-e-sergio-davila-unicos-brasileiros-no-front

Jair Rosa

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